CARRUM NAVALIS

A frase: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma” (Lavoisier -1789), poderia ser usada para definir a origem do Carnaval. Na verdade a maioria das festas populares e religiosas de hoje tiveram sua origem em festas pagãs.

No Egito, o rio Nilo era considerado sagrado, assim como a deusa Ísis era considerada a padroeira do país. Procissões de barcos eram realizadas com a deusa e a imagem do touro Ápis, representando a fertilidade e a ressurreição.

Mais tarde a Roma dos césares importou essa festa do Egito, e na época das Saturnálias ou chegada da primavera, enfeitavam carros alegóricos em formato de navios chamados “carrum navalis” e desfilavam pelas ruas da cidade onde a população usava máscaras e ficava semi nua cantando e bailando em honra ao “deus” Bacco, representante da festa da bebida e de toda orgia.

A religião, como sempre - querendo agradar a gregos e troianos - incorporou essa festa de orgia ao seu calendário de festas lunares. Não existe nenhum registro bíblico da festa de Carnaval ou da Quaresma celebrados pelos cristãos da igreja primitiva, e nem encontramos escrito no Novo Testamento qualquer referência à abstinência de comer carne e fazer luto de quarenta dias.

Quando vemos hoje a grande festa no Amazonas, dedicado a um boi (caprichoso ou garantido), bem como a deusa de cocar e a serpente sempre presente; as grandes procissões marítimas religiosas com as suas deusas; os carros alegóricos imitando navios nos grandes desfiles carnavalescos em nosso país, não temos nenhuma dificuldade em relacionar tudo isso ao que já foi muito antes de Jesus Cristo e do Evangelho.

O povo precisa se divertir? Precisa. Então não se pode fazer carnaval? O que precisa ser levado em conta nessa hora é qual a verdadeira origem do carnaval. Se foi criado com a intenção de homenagear deuses pagãos, certamente estaremos pecando contra o Deus Único ao reverenciar esses deuses, mesmo de forma ingênua. Até porque todas as fantasias querem de alguma forma ostentar o luxo e a riqueza inexistentes, dedicadas ao rei Mamon (Momo), o falso senhor das riquezas.

Pr. Waldir C. Grooders –