CORRENDO COM CAVALOS

“Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os cavalos? Se tão somente numa terra de paz está confiado, que farás na enchente do Jordão? Porque até os teus irmãos, e a casa do teu pai, eles próprios se hão deslealmente contigo; eles mesmos clamam após ti em altas vozes. Não te fies neles, ainda que te digam coisas boas” (Jeremias 12:5-6).

 

Viver neste mundo significa competir. Quer queiramos ou não, mais cedo ou mais tarde surgirão cavalos á nossa frente para testar nossa capacidade de superação. Já é complicado correr com pessoas de coração frio e indiferentes, imagine correr com egoístas e mesquinhos que jamais irão parar para ver se você conseguiu acompanhá-los.

O mundo adora o novo, o jovem, e o belo; por causa disso a competição se torna cada vez mais ferrenha contra tudo o que não seja assim. Existe um interesse quase insano das pessoas de se auto-superarem, e para isso são capazes de pagar um preço bem caro para atingirem as suas metas e objetivos. Não se importam de usar os outros como trampolim ou escada, desde que consigam chegar lá.

Na verdade, as pessoas nunca mudaram. O ser humano no tempo do profeta Jeremias – quase três mil anos atrás – já era assim como hoje. Ele próprio provou a amargura de ninguém ter reconhecido o seu trabalho. A pior coisa é você fazer “das tripas coração” e tentar agradar o homem – é pura ilusão. Nunca pensemos que nossa alegria - pelo que fizemos - deva advir da aprovação de A, B ou C. Precisamos de pelo menos um pouco de valor próprio, para que não entremos em depressão pela falta de uma avaliação positiva daqueles a quem servimos.

As pessoas egoístas sempre procurarão achar algum erro ou defeito em nós ou em nosso trabalho, pois no fundo elas se acham mais capazes, e por estarem numa posição privilegiada como assistentes e contempladores, fica fácil para eles criticarem aqueles que sofrem fazendo alguma coisa, porque estes creram que alguém deveria fazer alguma coisa.

Agora, o pior não são os pôneis egoístas que correm ao nosso lado; piores são os cavalos da própria família – pai, mãe, irmãos, cunhados... Jeremias nem sabia que pelas suas costas se ouviam fofocas, rumores e queixumes até aos gritos dos seus próprios parentes. Isto deve ser muito animador?! Imagine que os inimigos falam porque são contra, e isto faz parte da sua natureza. Os amigos, porque se deixaram levar pelas circunstâncias, ou porque puderam tirar uma lasquinha. Porém, quando a própria família nos condena, só existe alguém que poderá nos compreender porque passou por tudo isso e ainda por cima foi morto – Jesus.

É muito embaraçoso estar numa situação em que não podemos nos fiar nas pessoas, mesmo quando nos dizem coisas boas. É preciso ser muito altruísta numa hora dessas, e mostrar que temos em nós um espírito excelente, e que é capaz de olhar por cima de todas essas agruras e que saberá esperar o justo reconhecimento e a recompensa, que com certeza virá do nosso paizinho do céu.

“Fiéis são as feridas feitas pelo que ama, mas os beijos do que aborrece são enganosos” (Provérbios 27:6).

Pr. Waldir C. Grooders