SEU CONFORMILDO

Seu Conformildo tinha por costume almoçar no restaurante todo final de semana com a sua família. Entrava todo satisfeito e sentava quase sempre na mesma mesa, pois tinha o costume de chegar cedo. Fazia seu pedido normal, enquanto via seus amigos chegando com suas famílias: O prefeito da cidade; O Dr. Fulano; Seu Cicrano... E todos comiam com muita alegria! Mas, havia algo que intrigava o Seu Conformildo.

 

Toda vez que colocava a comida na boca, não sentia o gosto de sal. Preocupado - pensando que pudesse ser uma doença sua - escondeu este fato até de sua esposa. Procurava comer sempre com a maior tranqüilidade, até que certo dia não aquentou mais e perguntou a sua esposa se ela sentia o gosto de sal na comida. Qual não foi a sua surpresa! A esposa lhe disse que não sentia, mas que ficou com medo de perguntar porque achava que o problema estava com ela.

Passaram-se vários finais de semana, e aquela família agora descobrira que não sentia mais o gosto de sal na comida. Ficavam observando os amigos comerem cerimonialmente, com toda etiqueta possível, mas algo os intrigava: Será que somos apenas nós que não sentimos o gosto de sal?

Num belo dia, num belo almoço, ele toma coragem e pergunta ao Dr. Cicrano com todo o respeito, sentado perto da sua mesa, se ele sentia o gosto de sal na comida. Sua surpresa novamente foi muito grande, pois o Dr. se calara também, pensando que o problema fosse só com ele. Esse Dr., intrigado com a questão, pergunta ao prefeito sentado ao lado, e este confessa a mesma coisa. Descobriu-se então que todos estavam com medo de perguntar ou pedir uma explicação aos garçons, se era norma do restaurante não colocar sal na comida.

A maioria continuou comendo no restaurante todo o final de semana, sem nenhum questionamento, entre os olhares policiados de todos que preferiram continuar comendo assim para não trazer problemas ao restaurante, já que era muito conceituado na cidade. E assim, Seu Conformildo se alegrava com sua família, todos os finais de semana, comendo sem sal e agradecendo a Deus toda vez que lhe serviam outro prato.

COMENTÁRIO:

Este é o retrato puro e simples daquilo que acontece na maioria de nossas igrejas hoje, nas suas mais diferentes denominações. O cardápio é anunciado com pompa, no mais tradicional marketing de empresa bem constituída. A pompa se mistura ao brega, sem perder a esportiva, “e todos foram felizes para sempre”. Ninguém questiona! Supõe-se que “eles” devam saber o que estão fazendo, e se come sem unção (sal) todas as palavras proferidas nos altares da esperança, e com um preço muito além do irrisório. Palavras que não têm o poder de transformar nada e ninguém, muito menos tirar desta situação os conformildos da vida.

Jesus declarou que nós somos o sal da terra. Também falou que este sal poderia se tornar insípido, e que neste caso não prestaria mais para nada senão para adubo ou ser jogado fora. Creio que está na hora - e nada mais justo – de reavaliarmos nossos conceitos e pedirmos aos arautos do Rei, que nos concedam a dignidade de sermos respeitados como ovelhas que gostam de comer pasto verde molhado no orvalho das madrugadas passadas na presença de Deus, o Criador.

 

Pr. Waldir C. Grooders