Entendes tu o que lês?

Congratulamo-nos quando lemos bons livros e podemos comentar o seu conteúdo com vários leitores que entenderam a mensagem central. Em geral os livros são escritos para um público alvo, tratando os assuntos de forma que haja despertamento e interesse pela sua leitura.

Um bom livro nos transmite o conhecimento que o autor tem do assunto em pauta, e envolve uma série de experiências que contribuíram para a sua edição. Embora existam livros chatos, respeitamos o autor pela capacidade de escrever seus pensamentos, e tentar traduzi-los em palavras para a compreensão dos leitores.

Digamos que fôssemos pessoas extremamente inteligentes e que quiséssemos codificar nossos escritos para que apenas um público seleto os entendesse? Imaginemos que esse código pudesse ser interpretado apenas com um sentimento, e que sem esse sentimento o livro ficaria selado para o seu entendimento. Como ficariam as pessoas, nessa situação, diante de um livro que fosse o mais vendido no mundo inteiro?

Muitos escritos já foram codificados, e sem o devido código ninguém os entenderá, porém, esses códigos são baseados em letras, símbolos, figuras e até em notas musicais. Como um livro poderia ser codificado para ser entendido somente quando um determinado sentimento é liberado em nosso coração e ativado pelo cérebro? Qual seria a química que ocorre em nosso organismo para que a nossa compreensão seja aumentada milhares de vezes, e possa entender o pensamento do autor?

Deus, em sua infinita sabedoria, codificou um conjunto de sessenta e seis livros num só, mergulhando cada letrinha num organismo vivo chamado Paráclito. Uma vez que cada letra foi imantada em sua ressonância, as palavras formadas emitem uma energia que precisa ser reverberada pelo nosso espírito, alma e corpo. Sem esse processo, seria como querer sintonizar uma emissora de FM com a chave seletora posicionada em AM; ou querer assistir um DVD num aparelho de CD.

Em outras palavras, sem o sentimento do amor num grau elevado em nosso coração, não conseguiremos atingir o Espírito com o qual foi escrito o Livro, e ficamos a ver navios que nunca saem do porto, permanecendo ancorados na acomodação da alma que não se esforça para viver novos desafios. Tentamos, assim, nos justificar conhecendo apenas o prefácio do Livro, e querendo tirar uma nota boa no final, fazendo uma dissertação sobre o que outros leram em nosso lugar.

Até uma criança o entenderá, pois não o lê com a sua inteligência, porém, o lê com o seu coração inocente e livre de críticas, dúvidas e questionamentos; tais sentimentos encobrem o Código da Bíblia: Deus é Amor. (I João 4:8).


Pr. Waldir C. Grooders