A LUZ DO CONHECIMENTO

Nem tudo é o que parece – me diziam os mestres maçons. Tudo à minha volta se tornava relativo, e tive que destruir da minha mente tudo o que ela havia captado como real desde a minha infância. Todos os valores da minha alma não resistiram à nova visão do conhecimento e da busca da Luz.

 

Parecia que tudo a minha volta era mentira, assim como todas as religiões que apenas exploravam a ignorância das pessoas. A primeira impressão que tive foi que eu era um grande “joão bobo” que havia sido iludido durante anos pelas pessoas sem conhecimento.

Luz era a palavra chave para tudo; eu precisava conhecer a luz com todas as minhas forças e negar tudo o que já havia aprendido pela religião. Para mim se abriria uma nova dimensão alquímica e tridimensional do conhecimento. Precisava respeitar meus mestres que já haviam “chegado lá” e que poderiam me esclarecer sobre todas as minhas dúvidas, mas, tudo a seu tempo, degrau por degrau. Meu juramento de ignorância e de fidelidade aos detentores da sabedoria secreta calavam a minha boca quanto aos seus segredos, porém, a minha alma aprisionada e afastada do Pai insistia em não se calar.

Eu só tinha olhos para a luz. Luz! Luz! Era tudo que almejava ver e conhecer. Estava de tal forma hipnotizado pela busca da luz, que de longe via apenas a luz se aproximando como um olho gigante que tudo vê. Ficava extasiado pela sua aproximação que me fazia sentir importante a tal ponto que poderia mudar o destino de pessoas, grupos, comunidades e até nações inteiras.

O que eu não havia percebido na aproximação da luz, era que tudo ao meu redor era escuridão. Por isso aquela luz parecia tão forte, pois eu não enxergava outra coisa senão a luz em meus olhos. Havia, porém, algo atrás daquela luz – havia um corpo. Como todo olho tem um corpo, procurei então, direcionar a minha visão em direção a esse corpo. Assim como de noite a escuridão esconde o carro e deixa aparecer somente os faróis, assim a “luz do conhecimento” escondia de mim o corpo.

Só precisei um pouco de Luz “por trás” da luz para que visse o carro todo. Quanto mais clareava o dia e as trevas se desvaneciam, mais eu via o corpo e a luz dos faróis do carro se enfraqueciam.

A ficha finalmente caiu, e descobri que a verdadeira sabedoria é o temor do Senhor. A Luz que eu realmente deveria buscar era conhecer o Filho de Deus; ter intimidade com Ele e ter somente a Ele como meu Mestre.
Hoje sou uma luz no mundo para iluminar os passos daqueles que ainda não descobriram que a luz é apenas um acessório, e que mais importante que os faróis é o próprio carro.

 

Pr. Waldir C. Grooders