CAVALEIRO TEMPLÁRIO

“Nos primeiros degraus eu via o sol, refulgente a brilhar seus raios sobre mim, como a sugar toda a carência divina e a encher-me de uma nova plenitude estelar incompreensível no momento, mas, com certeza ao meu alcance, pronta para ser conquistada.

A cada degrau galgado, uma nova experiência de vida, da vida que traz vida. Uma nova sêde... queria mais, muito mais!

Começar a ver o que nunca via; enxergar até o invisível transpondo o inimaginável, era mais do que eu esperava; era uma nova perspectiva que poucos iluminados alcançam ou conseguem atingir. Era como ter o toque do Rei Midas. Tudo se transformava diante de mim num piscar e fechar de olhos. A alegria de manter tudo isso em segredo era outro desafio a ser vencido, e isso me fazia sentir superior, como uma nova raça!

Ah! Como demorava chegar ao último degrau! Que agonia era estar sujeito ao tempo que inexiste, mas que ao mesmo tempo me torturava na redoma da ansiedade de chegar ao fim!

Finalmente chegou o grande dia... O sol em seu ápice deslumbrava em ângulos de Luz jamais vistos por seres humanos... Sua virilidade era incontestável... O silêncio rompia como trovões pelos céus... Todo o conhecimento da criação estava agora totalmente desnudo diante de mim... Todos os segredos do universo se desenrolavam como pergaminhos a dizer: “Tudo isso é seu.”

Eu apenas esquecera um pequeno detalhe: Não me foi dito exatamente quem era aquele “mensageiro” divino cujo nome eu procurara durante tanto tempo?... Também não me disseram que eu não poderia voltar dessa longa jornada que minha alma empreendera! Foi então que acordei! Faltava o sangue de meu Senhor Jesus Cristo. Aquele “mensageiro de Luz”, não falava desse sangue, e parecia que não queria que eu tocasse nesse assunto. Por algum motivo ele excluía qualquer ligação com o sangue ou a cruz.

Foi então que eu gritei pelo sangue e pelo Nome de Jesus Cristo, e aquele ser angelical se transformou num monstro horrível, peludo como um urso, mas, que se desintegrava aos poucos. Suas unhas compridas e seus olhos de fogo destilavam ódio de morte ao invés de amor, e todo o conhecimento se desvanecia como névoa, não restando mais nada a não ser Deus e eu!”



Pr. Waldir C. Grooders –